Coluna Professor Cláudio César: "Apoiadores e adversários de Donald Trump"



O recém-iniciado governo de Donald Trump nos EUA já provocou uma série de transtornos e polêmicas em todo mundo. Medidas protecionistas, proibição do ingresso de imigrantes e refugiados de determinados países, declarações contra protocolos de defesa do meio-ambiente, construção de um muro ao longo da fronteira com o México constituem alguns itens do contencioso criado por Trump em menos de 15 dias do seu mandato.

A base de apoio a Trump se encontra entre a população mais idosa dos Estados Unidos (acima de 45 anos), enquanto a geração mais jovem (entre 18 e 29 anos) é francamente contrária ao novo governo. O professor de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Colúmbia, Jeffrey Sachs, em interessante artigo divulgado pelo jornal VALOR ECONÔMICO, menciona três pontos divergentes entre jovens e velhos do país governado por Trump. 

O primeiro deles é que os jovens são mais liberais em questões sociais do que as gerações mais velhas. Para eles, a crescente pluralidade racial, religiosa e sexual americana não constitui nenhum problema. Uma sociedade formada por brancos, afro-americanos, hispânicos e asiáticos, e de nativos e imigrantes, é o país que eles sempre conheceram. Além disso, tabus do passado relativos à orientação sexual, envolvendo gays, lésbicas, bi, inter e outros, já não representam para eles nenhum motivo de escândalo. 

Em segundo lugar, a revolução da informática vem provocando nos jovens grandes adversidades econômicas, pois o mercado atual, focado em robotização, inteligência artificial e máquinas inteligentes, postula uma total reformulação no emprego, ao contrário do que ocorria em épocas passadas. O corte nos impostos que Trump defende irá beneficiar as gerações mais velhas e mais ricas, em detrimento dos jovens, que esperam exatamente o contrário: impostos mais altos sobre a riqueza, treinamento para o trabalho, bem como uma infraestrutura de energia renovável. 

O terceiro item diz respeito às mudanças climáticas, que Trump nega serem resultado da ação do homem. Enquanto o novo presidente promete dar ênfase à utilização de combustíveis fósseis, altamente poluidores do meio-ambiente, a geração mais jovem deseja energia limpa e se manifesta a favor dos acordos que prevêem a redução de gás cabônico na atmosfera. 

Como o futuro pertence aos jovens, as atitudes reacionárias de Trump não terão vida longa. Se conseguir terminar o seu mandato, que por ora é uma incógnita, Trump certamente sofrerá, em 2020, uma fragorosa derrota, pois não se pode deter a marcha da História nem as mudanças demográficas e culturais que, com certeza, prevalecerão sobre atitudes retrógradas e sem sentido.

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Sobre o colunista:

Professor Cláudio César


- Graduado em Ciências Econômicas pela UFC (1970-74);
- Mestre em Administração Contábil e Financeira pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas - FGV/EAESP - (1984-87);

- Técnico em Desenvolvimento Econômico do BNB (TDE), no período 1977-1995;
- Professor Adjunto da UECE, no período 1994-2014;
- Pró-Reitor de Administração da UECE (2007-2008);
- Atualmente, é vice-presidente da FUNDAÇÃO DE CULTURA E APOIO AO ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (FUNCEPE), em Fortaleza (CE). Escreve semanalmente ao Blog Expresso Ipu sendo colunista colaborador. 

**A reprodução do artigo acima transcrito é somente autorizada mediante citação da fonte!
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Sobre Rárisson Ramon

Rárisson Ramon, de Ipu - CE de nascimento e criação, é acadêmico de direito, faz participações em rádio e é blogueiro.