Coluna Professor Cláudio César: "FIDEL CASTRO: HERÓI OU VILÃO ?"


*Cláudio César Magalhães Martins

Na noite do último dia 25, faleceu Fidel Castro. Desde então, pipocaram numerosas manifestações em todo mundo, umas de apoio ao líder cubano por mais de 50 anos, outras de repúdio ao ditador sanguinário, responsável direto por milhares de mortes, principalmente de dissidentes.

Não se pode limitar o personagem Fidel a uma única faceta de sua atuação. É indiscutível seu mérito em alcançar níveis bastante elevados em Cuba nas áreas de saúde e educação. Entretanto, seu passivo supera em muito os benefícios que propiciou à população cubana.

Segundo "O LIVRO NEGRO DO COMUNISMO, publicado em 1997, entre 15.000 e 17.000 pessoas foram executadas pelo regime castrita até aquele ano. É possível que, até a morte de Fidel, este número tenha crescido substancialmente. Perto dele, os ditadores brasileiros - Getúlio Vargas e os militares da Revolução de 64 - podem ser considerados meros escoteiros.

Além das execuções sumárias, das quais os juízes supremos eram Fidel Castro e Che Guevara, a supracitada obra fala em 100.000 presos políticos a partir de 1959, quando ocorreu a vitória dos revolucionários. 

A violência do regime penitenciário cubano atingiu tanto os prisioneiros políticos quanto os de direito comum. Os interrogatórios eram conduzidos pelo Departamento Técnico de Investigaciones. Torturas físicas e psíquicas eram comuns. Havia prisioneiros que eram obrigados a subir escadas calçando sapatos recheados de chumbo, sendo, em seguida, atirados degraus abaixo. Uma mulher que tinha horror a insetos foi encarcerada numa cela infestada de baratas.

Acresça-se a tais crueldades que, em Cuba, não há imprensa livre, não há liberdade partidária, pois existe apenas um partido, o da Revolução, inexistindo, portanto, oposição.

Diante desse quadro, causam espécie os elogios feitos, "post mortem", ao sanguinário ditador Fidel Castro por políticos, intelectuais e outros admiradores. A ex-prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, do PT, afirmou que "Fidel Castro deixa o legado de um camarada humano e, portanto, falível, mas corajoso, ousado, convicto dos seus sonhos e símbolo de que é possível transformar utopia em realidade." O irmão dominicano Fr. Betto, amigo de Fidel desde 1980, jamais condenou as atrocidades por ele cometidas e chega até a elogiar sua atitude perante a religião. E assim caminha a humanidade.

Em conclusão, pode-se dizer que, não obstante os méritos do ditador cubano nos campos da educação e da saúde, os assassinatos, as torturas e as perseguições movidas contra seus adversários o colocam no rol dos grandes vilões da História, entre os quais podem ser mencionados Hitler, Stalin e Pol Pot.

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*Professor Cláudio César é graduado em Ciências Econômicas pela UFC (1970-74);

- Mestre em Administração Contábil e Financeira pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas - FGV/EAESP - (1984-87);

- Técnico em Desenvolvimento Econômico do BNB (TDE), no período 1977-1995;

- Professor Adjunto da UECE, no período 1994-2014;

- Pró-Reitor de Administração da UECE (2007-2008);

- Atualmente, é vice-presidente da FUNDAÇÃO DE CULTURA E APOIO AO ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO (FUNCEPE), em Fortaleza (CE). Escreve semanalmente ao Blog Expresso Ipu sendo colunista colaborador.
 
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Sobre Rárisson Ramon

Rárisson Ramon, de Ipu - CE de nascimento e criação, é acadêmico de direito, faz participações em rádio e é blogueiro.