Coluna Professor Olívio Martins: "Política e Justiça"


O homem, na concepção aristotélica, é um animal político. Por que político? Elementar, meu caro Watson, diria Sherlock Holmes. É político porque vive na pólis (cidade) e por ela é responsável. Política é um tema que inflama os ânimos, gera discórdias, causa polêmicas e, não raramente, conduz a acusações pessoais negativas. 

O interlocutor, quando fanático ou ortodoxo, não aceita os argumentos do oponente. Seus argumentos são os únicos verdadeiros. Ele é o dono da verdade, embora não se saiba bem definir o que é a verdade. 

Pilatos, ao interrogar Cristo, perguntou-lhe: "QUID EST VERITAS"? (O que é a verdade?). Segundo as Escrituras, Cristo não respondeu a Pilatos. Já me tinha prometido um silêncio obsequioso sobre o tema, mas o "site" do Grupo de Diálogo de Ipuarana respira política 24 horas por dia. Interessante e contraditório este comportamento. 

A maioria dos alunos de Ipuarana não escolheu a via sinuosa e escorregadia da política, cheia de armadilhas. Graças ao preparo intelectual de alto nível - equiparado ao da Europa - o aluno de Ipuarana foi bem sucedido na profissão que escolheu. Submeteu-se a concursos públicos difíceis - muitos exigindo títulos - e foi bem sucedido, em geral, nas áreas do conhecimento humano em que quis fazer carreira.

Não foi beneficiado, de modo geral, pelo apadrinhamento político. Pôde dizer como César ao vencer o rei do Ponto: "VENI, VIDI, VICI" (Vim, vi, venci).

Alguns poucos, porém, acham-se acima do bem e do mal. São cidadãos acima de qualquer suspeita. Apontam o dedo e dizem peremptoriamente: "Fulano de tal é um ladrão, é um corrupto, é um safado, é um  escroque". Ás vezes, tal cidadão não foi nem sequer julgado e condenado pela Justiça.

Para mim não é uma conduta adequada. É melhor esperar pela decisão da Justiça para se ter embasamento jurídico da acusação. É um julgamento muito forte. Além, muito além do que preceituam as Escrituras quando aconselham: "Não julgueis para não serdes julgados". Não raramente, somos impelidos por uma força invisível a, "a priori", fazer julgamentos antes mesmo da Justiça. E o que é a Justiça? "La justice est la vérité en action" (A justiça é a verdade em ação"), nos diz Joubert, in Pensamentos.

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Olívio Martins é membro da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes (AILCA), técnico aposentado do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).
Licenciado em Letras Anglo-Germânicas pela Universidade Federal do Ceará. Tem curso de pós-graduação na Bayerische Julius-Maximilians –Universität Würzburg (Alemanha). 
É professor aposentado de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira. Atualmente, dedica-se à Ecologia.
Escreve textos ao Blog Expresso Ipu sendo colunista colaborador.

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Sobre Rárisson Ramon

Rárisson Ramon, de Ipu - CE de nascimento e criação, é acadêmico de direito, faz participações em rádio e é blogueiro.