Coluna Olívio Martins: "Bica de Ipu"


Corroboro o que foi escrito pela confreira da Academia Ipuense de Letras, Telma Lima, e presidente da AFAI sobre a retirada de Ipu do roteiro turístico do Ceará.

Com efeito, a Bica do Bica é o principal ícone da cidade. Mas não somente ela. Temos outros, como a Igrejinha, a Estação Ferroviária, a Igreja Matriz, o Patronato Sousa Carvalho, a sede antiga da Prefeitura, e algumas construções históricas que vão sendo tombadas pelas mãos criminosas dos homens.

É preciso revitalizar o riacho Ipuçaba para que nosso principal e primeiro ícone não venha a ser prejudicado. Enfrentamos cinco longos anos de seca, o que veio diminuir o volume de água da Bica em consequência, principalmente, do represamento das águas do heroico riacho, que nunca seca, mas que vem sendo utilizado pelos ribeirinhos em suas culturas.

Cheguei a sugerir ao prefeito atual Sérgio Rufino que construísse um lago em cima da serra para armazenar água suficiente para, nos tempos de crise, abastecer a Bica pelo menos nos fins de semana quando o afluxo de turistas é maior. 

Não é inoportuno lembrar que, em tempos passados, existia uma represa para captar água do riacho a fim de alimentar a turbina que gerava energia elétrica para a cidade. Acontecia, naquela época, o mesmo problema ora verificado, ou seja, o represamento da água do riacho pelos ribeirinhos para aguar suas plantações, mesmo com a possibilidade real de falta d'água para girar a turbina que fornecia energia elétrica à cidade. 

Mas o prefeito Abdias Martins - lembro-me bem - destacava soldados para destruir as barragens construídas ao longo do leito do Ipuçaba a fim de que a população de Ipu não fosse prejudicada. Como político que era, essa atitude lhe valeu, sem dúvida, a perda de muitos votos, mas tinha ele consciência de que o bem público estava acima de tudo. E não hesitou, em momento algum, em continuar a ação durante seus dois mandatos à frente da Prefeitura Municipal de Ipu.

A Bica do Ipu (Fall of Ipu), consagrada em selo de circulação nacional e internacional a partir de 12/12/2012, ultrapassou os limites do Brasil. É conhecida no mundo inteiro através dos catálogos internacionais de selos e da circulação do próprio selo em todo o Planeta. Os colecionadores da temática CACHOEIRA (Fall, em inglês) estão a apreciar, indubitavelmente, essa maravilha da natureza.

Mas é preciso esclarecer um ponto que é de suma importância. Uma maravilha da natureza, como a Bica do Ipu (Fall of Ipu), deve ser preservada como a natureza a fez. Não se pode descaracterizá-la com obras ao seu entorno. Qualquer obra adicional deve ser construída longe dela. Ela deve imperar soberana. Aquele parque projetado para o entorno da Bica era um verdadeiro atentado à sua beleza e à natureza que a cerca. Apenas aquele restaurante é suficiente para atender os turistas e devia, ao meu ver, ter ficado mais distante da cascata.

No mundo inteiro é assim. A maravilha da natureza deve ficar preservada, soberana, dominando a paisagem. Qualquer complexo turístico deve ficar longe da Bica do Ipu.
Lamentável, porém, foi a retirada de Ipu do roteiro turístico do Ceará. Não sou ingênuo para aquilatar qual a intenção de tal medida, pois, mesmo sem ou com pouca água, a Bica do Ipu é uma atração. E, além do mais, temos os outros ícones supracitados. 

A Estação de Ipu é a mais bela do Estado. É a única em que o trem passa dentro da gare. E a Igrejinha? Uma beleza de arquitetura barroca. Essa decisão foi meramente política. Veja-se a relação de algumas cidades que constam do roteiro turístico do Ceará. Não vou citar nenhuma delas para não ser indelicado com seus habitantes, mas Ipu não poderia ficar de fora de tal relação. A política é para ajudar e não para prejudicar. O povo ipuense é sábio e entende o que aconteceu.

Olívio Martins de Souza Torres
Ecologista

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*Olívio Martins é membro da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes (AILCA), técnico aposentado do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).
Licenciado em Letras Anglo-Germânicas pela Universidade Federal do Ceará. Tem curso de pós-graduação na Bayerische Julius-Maximilians –Universität Würzburg (Alemanha). 
É professor aposentado de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira. Atualmente, dedica-se à Ecologia.
Escreve textos ao Blog Expresso Ipu sendo colunista colaborador.
**A reprodução do artigo acima transcrito é somente autorizada mediante citação da parte autoral!
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Sobre Rárisson Ramon

Rárisson Ramon, de Ipu - CE de nascimento e criação, é acadêmico de direito, faz participações em rádio e é blogueiro.