Coluna Olívio Martins: "Ipu na Literatura e na Filatelia"



Dois grandes autores, em duas obras imortais, evocam o nome do IPU. São eles: José de Alencar com o poema em prosa IRACEMA e Euclides da Cunha em OS SERTÕES.

Nada obstante, outros autores de renome, principalmente cearenses, enaltecem também o Ipu em prosa e verso. Vamos ficar, por enquanto, com os dois supracitados.

José Martiniano de Alencar, cearense, além de Iracema, escreveu obras importantes, como o Guarani (considerada sua obra-prima), Ubirajara, Minas de Prata, O Tronco do Ipê, e muitas outras.

Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, fluminense, é o autor de uma das principais obras da literatura brasileira: Os Sertões. Escreveu também, dentre outras, as seguintes obras: À Margem da História, Contrastes e Confrontes, Peru versus Bolívia.

Em Iracema, a palavra IPU é citada nas seguintes passagens do livro:

Mais rápida que a ema selvagem, a morena virgem corria o sertão e as matas do Ipu, onde campeava sua guerreira tribo, da grande nação tabajara” (Cap. II);

O sol, que vai nascer, tornará com o guerreiro Caubi aos campos do Ipu” (Cap. IV);

Já atravessa as florestas; já chega aos campos do Ipu. Busca na selva a filha do Pajé” (Cap. VI);

O guerreiro branco é hóspede de Araquém. A paz o trouxe aos campos do Ipu, a paz o guarda” (Cap. VII);

Quatro luas tinham alumiado o céu depois que Iracema deixara os campos do Ipu, e três depois que ela habitava nas praias do mar a cabana de seu esposo” (Cap. XXIII);

A lembrança da pátria, apagada pelo amor, ressurgiu em seu pensamento. Viu os formosos campos do Ipu, as encostas da serra onde nascera, a cabana de Araquém e teve saudades; mas naquele instante ainda não se arrependeu de os ter abandonado” (Cap. XXVI).

Já em “Os Sertões”, nas páginas 141/142, da 25.ª edição, Livraria Francisco Alves, 1957, Euclides da Cunha evoca a figura de Antônio Conselheiro que peregrinou pelas terras do Ipu em suas andanças pelo Nordeste:

Segue para Campo Grande, onde desempenha as funções de escrivão do Juiz da Paz. Daí, sem grande demora, se desloca para Ipu. Faz-se solicitador, ou requerente no fórum”.

De repente, surge-lhe revés violento. O plano inclinado daquela vida em declive terminou, de golpe, em queda formidável. Foge-lhe a mulher, em Ipu, raptada por um policial. Foi o desfecho. Fulminado de vergonha, o infeliz procura o recesso dos sertões, paisagens desconhecidas, onde lhe não saibam o nome, o abrigo da absoluta obscuridade”.

Na filatelia, o Ipu desponta para o Brasil e para o mundo com o selo da Bica do Ipu (Fall of Ipu), lançado pelos Correios em 12/12/2013. Característica do lançamento é que ele foi feito, simultaneamente, em Ipu e em Brasília. É que o selo, da cota do Ministério das Relações Exteriores, homenageia a nação amiga do Quênia, comportando duas belezas naturais: do Brasil, a Bica do Ipu (Fall of Ipu), e, do Quênia, a Zebra de Grévy (Grevy’s Zebra).

Consoante se vê, a literatura projetou o Ipu no cenário nacional, e a filatelia, através do selo da Bica do Ipu (Fall of Ipu), o tornou conhecido no Brasil e no mundo, pois o selo é um viajor que atravessa fronteiras e entra, sem usar passaporte e sem pedir licença, nos diversos países do mundo, independentemente de sistema político e econômico vigente, raça, cor e credo.

Fortaleza, 15 de agosto de 2016

Olívio Martins de Souza Torres*


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*Olívio Martins é membro da Academia Ipuense de Letras, Ciências e Artes (AILCA), técnico aposentado do Banco do Nordeste do Brasil (BNB).
Licenciado em Letras Anglo-Germânicas pela Universidade Federal do Ceará. Tem curso de pós-graduação na Bayerische Julius-Maximilians –Universität Würzburg (Alemanha). 
É professor aposentado de Língua e Literatura Portuguesa e Brasileira. Atualmente, dedica-se à Ecologia.
Escreve textos ao Blog Expresso Ipu sendo colunista colaborador.
**A reprodução do artigo acima transcrito é somente autorizada mediante citação da parte autoral!
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Sobre Rárisson Ramon

Rárisson Ramon, de Ipu - CE de nascimento e criação, é acadêmico de direito, faz participações em rádio e é blogueiro.